quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Gi, the warrioress.

O que a gente fez mesmo?

Entre ver o mesmo filme uma vez por dia por dias, entre escolher recluso com céu azul lá fora e mar, seja lá o que tenha sido tomou dimensões tão.

E eu sei que a gente se perdia da outra frequentemente, que era porque você precisava muito estar à vista do Lucas... que a gente se perdia por dois amores diferentes que sentia e você não conseguia conciliar dois amores. Não dói mais: a gente só tinha 5 anos. Eu que era besta, eu que era... não tinha sentir muito com 5 anos, só tinha que contar pra minha mãe e brincar com outra pessoa.

Eu ia pra casa da vó pra te ver porque você ligava, mas depois jogava água nos meus olhos brincando na piscina por querer. Nossa, eu sofri tanto prá entender o motivo, sinto agora os nós na minha garganta desfazendo, vou ficando curta, curta. Partícula. Uma moça que entende o amor do outro é uma partícula... ora, entender é coisa pequena, minúscula. Alguém ama, você abraça. É nada. Mas é que basta, meu bem... pra qualquer coisa de grandioso brotar, suficiente pra sustentar um todo.

Sim, boa parte dos desafios da vida de uma mulher consiste em ser partícula. Perto de você eu consegui. Dar um passinho.

Cresci toda amarrada por tua causa, meu deus. Só que cresci colorida.

Assim: a gente ia criando um universo toda vez que ninguém olhava, nas mesmas cenas e nas ondas de mar que não queríamos ver. As coisas iam adquirindo uma forma própria, de interpretação tão nossa, e ninguém podia saber. Ninguém mais cabia. Toda visão tinha um pedaço não visto que era profundo, extenso que a gente descia e pulava sem olhar pra trás, até você precisar voltar (eu sempre permanecia um pouco mais.)

Aí me coloriram.

Aí teve a época que eu fiquei por anos e você foi embora.

Você foi e não pode saber do que houve...

Não pode ler meus recados, não pode saber que eu beijo mulheres e gosto, não pode saber que eu sei dançar e pouca coisa mais me importa e que pra mim Homero tem mais utilidade que a faculdade de Direito que você escolheu. Porque nesse mundo com que me ajudou, se te ausentas por um minuto quem ta lá dentro se sente só e se doa pra todos os milhões de insights que invadem e consegue ser muito pouco para-além do próprio pensamento. Você não pode saber.

Você não joga mais água nos meus olhos, a gente não tem mais uma agência de espionagem secreta, não investiga quem roubou dez reais do nosso avô, a gente nem tem mais um avô... não assistimos Dirty Dancing há anos, nunca mais viajamos pro nordeste.

Trocamos vídeo game por Sex and the city, e ainda não temos coragem de contar por quem nos apaixonamos. Nos conhecemos em parte, mas eu te amo inteira. E família é isso, certo? Só se suportam porque não sabem do outro até o fim. Não sabem com que andam sonhando, nem porque choram a noite quando ninguém vê, nem quando perderam a virgindade, chegam a ignorar a humanidade do resto, vê-los como super heróis que não morrem, chegam a se assustar quando hesitam. Mas ficam juntos.

Não escondo: você é pra mim guerreira quase-deusa de armaduras cor de rosa.

Mas admito, nos resquícios mundanos em que ainda nos alcançamos:

Te perdôo pelos nós integralmente.

sábado, 12 de setembro de 2009

Explode minha cabeça em dor,
pois que não tenho deixado frequentemente minha voz gritar.
É que sigo em descompasso com tudo fora de mim,
e aí eu sigo em pedaços.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Em resposta

Já de você, me lembro a partir de tudo que é amargo.

E falso.

Que sejam mechas vendidas em farmácia, ou sensualidade pretensiosa, que de tão mísera e artificial não serve nem para ser captada sutilmente:

Tem que ser dita e reafirmada, para que sua pessoa não passe despercebida.

Exatamente como uma prostituta, que lhe tem valor atribuído apenas em favor de seu possível uso - como nada digno de ser fim em si mesmo.

A você associo tudo quanto já me dera pena.

Associo todas as já lidas palavras mal-escritas, que mostraram que se perder nem sempre é caminho para desprovidos de qualquer perspicácia.

Continuo esperando que o abraço dela se situe lá, meramente detrás do teu tempo.

Que você fique fora do meu.

E sua existência, fora de todos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Com os olhos enterrados em inchaço
e quarto inundado de lágrimas de uma vida inteira,
surge corte no tempo
saio de mim
e contemplo
que além de toda dor
transcendo a miséria e consigo me manter acordada
apenas com o inuito
de assistir nuvens nascendo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

estado de graça

E eu me prometo nunca esquecer os resquícios de inocência que cada um guarda escondido.

sábado, 30 de maio de 2009

Reservo, então, uns minutos de glória e gratidão por terem me dado, tão cedo na vida, momentos de certeza e de impressões tão fortes pra realmente saber do meu caminho.
Nem tanto de como é traçado, que se fosse assim teriam me dado a qualidade de sobrehumana, e para isso nunca ajoelharia...
Agradeço saber de seu onirismo - e que isso jamais se opõe ao ser-de-fato de algo.
Que pertence aos confins de consciência em que tudo é tácito, porém diluído. Parte em outra. Em que tudo se encontra, aceita e se entende. Mesmo que sem razão.
Meu caminho é uma ode ao devaneio.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Vazio se ocupou de mim um pouquinho hoje, quando acordei.
Depois foi só Saudade.

Saudade da velhinha que me motivou a continuar sendo só parada lá, dando sua aula.
Num dia de início de ano ela enfiou uma Metafísica ali no meio e eu fui só lágrimas quando o sinal tocou: ela entendia. E eu por dentro era tão minúscula ainda, queria tanto que ela soubesse o quanto era feliz, o quanto a amava. Porque ela entendia.
Até que, deve ter sido em outubro, porque eu nunca fui tão pura na vida a não ser naquele outubro, ela pegou na minha mão e eu disse bem assim [ fui tudo que consegui ] ''Ai, Olívia, eu amo literatura."
E ela já sabia.
Agora são quase dois anos depois, minha querida. Eu tenho do meu lado Ulisses e Homero, Heráclito e Safo de Lesbos. Tudo junto contigo.
Eu tenho fome de García Marquez, de Saramago, Lygia Fagundes Telles, junto contigo à distância e a todo sentimento pleno que me vem quando penso em ti. E toda vontade de ser grande como tu; saiba que o coração grande e mole escondido como o teu é minha verdade.
Hoje a saudade é tanta que fui ali, pro mesmo lugar onde se reencontraram todos os ciclos da minha vida quando eu tava pra sair de casa, e parei um momento. Sabes que tinha um homem, apoiado numa bicicleta, olhando pro mesmo lugar? Aposto que viu a mesma coisa. Aquele zilhão de moléculas de água se prolongando dando a ilusão de mar, ignorando as casinhas de trás. Na época as águas de lá se inteiraram com as dos meus olhos pela primeira vez, hoje são uma só - então isso é que é ser árcade?
Quis contar a ele que eu entendia, assim como você.
Surjo pasma, então, com a descoberta de que lembrança também é purgação. Sai de mim tudo que eu fui ali, te vendo dando aula, me reencontrando e querendo voar. Em-si do que ninguém conhecera muito bem - já disse que meu coração ama esconder-se.
Retorna a mim, sempre maior - ring composition da vida, como sempre - e te sinto mais.
Na esperança de ser grande assim, que o cinza seja som de riso já pela noite.
Que esse coração meio simbolista, meio torto, meio pré-socrático, todo 2007 se aquiete. Com toda saudade doída de agora, te mando todo desejo de luz que consigo.
Levo comigo tuas aulas e principalmente os abraços trocados do lado de fora.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

De súbito, a cidade se revelou.
Enquanto a natureza acabava de chorar comigo (é que choveu por dias... e dias... e dias... ) foram se dissolvendo os prédios. Que arrastavam os carros. Que arrastavam o Cinza. Que arrastava as Nuvens. E aí, Azul.
Dessa vez não foi só a calmaria momentânea que me serviu de combustível: há exato um ano sentia que faria uma escolha e como tudo até então havia sido tão natural e dado, eu não sabia bem que escolher era renunciar. Sabia que era belo, no máximo, ignorando que as coisas belas também doem nos outros. Por si mesmas.
Chovia consecutivamente, incessantemente. Desmancharam-se ruas, morreram gentes e só sobraram o que sentiam... e isso já era o anúncio. De que finalmente consegui conciliar o tempo de mim com o tempo do mundo e dado que agora o céu é límpido - ainda bem que alma é regenerável -, sou eu quem anuncio com orgulho: eu sou um corpo que finalmente ocupa sua própria época. Frenética, líquida... mas inquietude também cabe nesse corpo.
No exato agora eu sinto que farei escolhas pronta para renunciar.
E renuncio à idéia de muitos de que é preciso muito para se ser pleno.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ai, Deus. Ou foi você ou fui eu quem sumiu por um tempo. E você sabe muito bem - melhor que eu - do que tenho sido devota a vida inteira, sabe que não foi de ti em seu ser mesmo, pois não há nada no mundo que eu considere alheio a você. Sabe bem da minha indignação diante das separações: como se houvesse todo um mundo para o qual você olha e guia sem integrá-lo, como se dois conjuntos-universo seguissem cada um a seu modo; o seu sendo o ditado e o nosso as letras, quando aquilo que tão vagamente chamados mundo dos homens se move dentro de ti, porque o é. Se houvesse essa divindade dissociada, a procuraria e ajoelharia e pediria perdão, porque esse absurdo que é um deus sozinho nos faz pedir a ele apenas os prazeres e os bens. E eu fui tão idiota, que esqueci a necessidade da morte momentânea e silenciosa ( e quem sabe até mais sofrida que aquela que tira o movimento do corpo dos outros) a qual, só compreendida a longo prazo, possibilita a retrospectiva da existência e a aceitação de que o mundo está exatamente como devia. Não por ser o jeito ideal, mas por ser exatamente o jeito que possibilita o retrospecto e a compreensão parcial, e que vem ressoando desde que o homem abrira os olhos, admirara-se, sentira, pensara, tentara, dizera - e nenhuma dessas coisas é tão diferente entre si.
Só queria ser um pouco maior para agradecer o sofrimento, mas ainda não. O máximo que consigo é aceitar minha morte e confessar que a dona do sumiço fui eu, num esforço para consertá-lo.
Quanto a você... você nasceu hoje mesmo? Por que você enche minha vida de números 16? Por que eu tenho 18 anos e nunca consegui aprender a andar de bicicleta? Plotino estava certo? Ou ser certeza e ser humano são as únicas coisas do universo que não se entrelaçam? Você reparou que me afastar de você foi parar de escrever? E que, seja no ato de me aproximar ou de fugir de você, toco o tipo de filosofia mais inocente que se fez?
Você sabia que eu pretendo chorar de alegria quando esse ano acabar?

E se é de dentro tudo que existe e em ti onde me circunscrevo, que continue a habitar o Eu sem desistir do meu. Então prometo que em breve sentiremos o vento bagunçando o cabelo, sobre um banco qualquer de bicicleta...

domingo, 19 de outubro de 2008

Tudo aquilo para enxergar: "Menina, pode chorar, que as pessoas ao redor se deixam engolir por aquilo que não entendem e amaldiçoam qualquer um que queira morrer tentando entender".
E a solidão de que falo desde sempre precisa encontrar uma glorificação da minha história rapidamente. Passadoepresente em mescla explodiram. Sou lava.